3 de set. de 2012
arte sobre o não visto
Aparentemente não há nada lá. Ao menos nada para ser observado ou tocado. Os ambientes não exibem coisa alguma, mas não se deixe enganar pelos olhos. Tudo está repleto. (...)
Exibir o invisível é (e historicamente tem sido) se expor a certo ridículo. As imagens de pessoas circulando por salas e admirando o que parece ser coisa nenhuma já se tornaram um clássico. Desde junho, essas cenas têm retornado à imprensa europeia, recolocando a mais repetida questão na mente do espectador contemporâneo: isso é arte?
(na íntegra aqui)
Arte com o vazio? Ou a arte de preencher o vazio?
Ou, como disse Cecília Meireles, aqui:
"A arte abstrata? Nós, pouco a pouco, vamos caminhando para o subentendido, não é? A arte abstrata é uma alusão. Você constrói dentro de si. Muita gente faz coisas com nomes concretos que geram um mundo abstrato e vice-versa."
2 de set. de 2012
pais, mães e filhos
Até porque os, digamos, multiparentescos não vão limitar-se a um genitor extra em cada caso. Na verdade, não é absurdo prever-se que material genético de vários 'colaboradores', de ambos os sexos, poderão vir a ser utilizados na produção ou 'aperfeiçoamento' genético de um embrião humano. Ou seja, é possível que haja um filho de diversos pais e mães, uma obra coletiva, por assim falar. Não deixa de ser uma ideia curiosa e não hão de faltar comitês de amigos que se unam para perpetuar-se como grupo, na figura de um único rebento, que, para acabar de enlouquecer o advogado, usará uma barriga de aluguel. Creio já poder adivinhar que o bebê assim produzido será chamado de 'poligênico', sua figura paterna será um álbum e seu Édipo terá um harém. Com toda a certeza, pelo menos uma torcida organizada criará um menino com material genético doado pelos craques do clube - e o menino receberá o nome de Cocktailson, comerá a bola desde os 5 anos de idade e passará oito minutos dedicando seu primeiro gol como profissional à família."
(João Ubaldo Ribeiro, aqui)
todo mundo é diferente
Um menininho estava brincando de boneca. O pai chegou, viu aquilo, e quis saber, revoltado: “Quequifoi?! Virou gay agora?”. E o garoto, com toda a inocência que é peculiar às crianças que ainda não aprenderam a ser preconceituosas, respondeu, calmamente: “Não, virei pai”. (via)
Esse pai que deve sentir falta do tempo em que meninos brincavam de açougueiro.
* * *
(...) O filho do Niels Pickert morava com os pais em um bairro progressista de Berlim, onde o fato dele usar vestidos não era mais do que um assunto para iniciar uma conversa. Claro, não era fácil pro menino na escola, e como o menino não estava encontrando um role model, uma vez que não vemos muitos homens andando de saias por aí (um beijo, Laerte!), nada mais óbvio que o próprio Niels passasse a se vestir com saias – e, veja bem, ele gostou.
Difícil mesmo ficou quando a família Pickert se mudou para uma cidade totalmente provinciana, religiosa e conservadora, onde o fato de pai e filho saírem pelas ruas de saia e vestido, respectivamente, fez com que uma senhora desse com a cara no poste – literalmente – , o que deu ao pequeno novamente coragem para ir á escola com seus vestidos. E mais: ele gosta de pintar as unhas também, e se diverte pintando as do pai. Niel conta isso tudo em um artigo para a revista feminista alemã Emma, e eu destaco o que ele fala: “Sim, eu sou um daqueles pais que tenta criar seus filhos de forma igualitária. Eu não sou um desses pai acadêmicos, que divagam sobre a igualdade de gênero durante seus estudos e assim que há uma criança na casa, se adequam aos papéis confortáveis de gênero: ele está se realizando na carreira e ela cuida do restante.”
E então, apesar do que o meu despeito falou quando soube da notícia em uma primeira instância, eu aplaudo o Niel Pickert de pé. E pergunto: como é que isso não é respeitar as diferenças, minha gente? Sim, meninos e meninas são diferentes entre si. Mas também o são todos os seres humanos. O gênero não é a diferença primária, muito menos a principal, e não deve nunca definir o que uma pessoa é, assim como não o são a raça e a orientação sexual. O verdadeiro respeito às diferenças está justamente em não enquadrar ninguém nesses estereótipos. Porque o filho do Niel Pickert gosta de usar vestidos. E ele é um menino. E o pai não só respeita isso, como ele endossa, dando ao seu filho a autoestima necessária para expressar essa diferença.
Para encaixar uma estrela no buraco do triângulo, é necessário cortar quatro das suas pernas. Isso deve doer. Que tal não tentar encaixá-la em nada?
(Nanda, no Blog Mamíferas)
1 de set. de 2012
sempre é tempo de começar
(via)
Existe somente uma idade para a gente ser feliz. Fase dourada em que se pode criar e recriar a vida à imagem e semelhança dos nossos desejos. Essa idade tão especial e tão única chama-se presente... e tem apenas a duração do instante que passa.
- Mário Quintana
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